Ao compartilhar pelo twitter a notícia de que a UnB estréia a graduação em comunicação organizacional, um amigo relações públicas deixava no ar a pergunta: será o fim do curso de Relações Públicas. Não tenho resposta, mas sim, expectativas.
Espero que seja sim, o fim dos terrenos delimitados, marcados, intransponíveis engessados e amargurados que tanto atrasam o desenvolvimento da comunicação organizacional no Brasil.
Espero sim, que os profissionais do futuro da comunicação das organizações me olhem com cara de espanto respeitoso como quem olha para uma peça de museu e apontem: ela é do tempo em que jornalistas nas organizações só atuavam em publicações, veículos e as estratégias e a gestão eram feitas apenas pelos relações públicas.
Na vida real já não há divisão entre jornalistas e relações públicas que atuam na comunicação organizacional. Mas a academia insiste em rotular e praticar a fragmentação paranóica. Existe, e defendo há muito tempo, o espaço da competência que independe da ênfase da graduação em comunicação. Cabe, portanto, à academia preparar melhor os futuros profissionais.
Formada em jornalismo, mas especialista, mestre e profissional praticante da comunicação organizacional, para não dizer, apaixonada e fanática pela área, costumo ser vista com olhares atravessados no ambiente acadêmico por boa parte dos relações públicas, que, mesmo sem pronunciar, expressam todas as ressalvas à invasão do delimitado território das relações públicas. A exceção, manifesta em olhares acolhedores e interessados em idéias, vem sempre dos mais competentes.
Em tempos de web 2.0, redes sociais, diálogo franco, transparência, sustentabilidade, leveza, trabalho árduo e apaixonado, já não há mais clima para fragmentar, isolar, restringir, punir, reservar. Praticar a interlocução sistemática e complexa entre saberes, mais do que saudável se tornou imprescindível. Sem rótulos e com muita competência, as boas práticas de comunicação organizacional acabam por transformar verdadeiramente a vida nas organizações. E é uma contribuição histórica que precisa de múltiplas disciplinas.
É por tudo isso que a notícia do novo curso da UnB (http://bit.ly/c5XZgn ) merece um forte aplauso. Finalmente a academia avança para além da modernidade superando a fragmentação. Comemoremos!
Boa reflexão, concordo em tudo. Afinal de contas, a competência e conhecimento para atuar na área não se encontra em gavetinhas compartimentadas das universidades empoeiradas que formam muitos profissionais que acreditam em tal fragmentação.
ResponderExcluirum abraço